Apenas 11 centros de reabilitação respiratória para mais de 100 mil doentes com DPOC

Há apenas onze centros de reabilitação respiratória para as mais de 100 mil pessoas que sofrem de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em Portugal, alertou a Associação Respira, que apela ao alargamento destes serviços a mais unidades hospitalares, noticia a agência Lusa.
"É urgente criar condições de igualdade de acesso a esta terapêutica para todos os doentes. Não podemos aceitar que só os doentes dos grandes centros urbanos beneficiem deste acompanhamento”, salientou a associação nas vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala esta segunda-feira, 31 de Maio.
Estes serviços estão distribuídos por cinco hospitais da grande Lisboa, quatro do Porto, um em Braga e outro em Portimão, disse à Lusa a presidente da associação.
“Era fundamental que fossem alargados a outras unidades hospitalares para que as pessoas que vivem fora destas áreas pudessem ter acesso a um treino de esforço que melhora imenso o controlo da doença”, adiantou Luísa Soares Branco.
Como portadora de DPOC, Luísa Soares Branco conhece bem os benefícios da reabilitação respiratória: “Aprendemos a respirar sem esforço, o que normalmente não conseguimos”.
“Nós conseguimos controlar a respiração em repouso, mas em esforço perde-se o ritmo respiratório e não se consegue controlar”, explicou, adiantando que estes programas funcionam muito bem porque têm equipas multidisciplinares que incentivam os doentes a ser pró activos e participativos no tratamento.
A reabilitação respiratória “não cura, mas melhora a qualidade de vida das pessoas” com doenças respiratórias crónicas, nomeadamente a DPOC, que é causada, fundamentalmente, pelo tabagismo, mas também pela poluição ambiental, adiantou.
A pneumologista Paula Simão explicou que a reabilitação respiratória ensina técnicas de relaxamento, de controlo da ventilação e da falta de ar.
“Este método ajuda a prevenir as crises, a reduzir os sintomas e a incapacidade de uma forma geral. Tudo isto se traduz no aumento da qualidade de vida”, acrescentou.
Estima-se que em Portugal exista já meio milhão de portugueses com DPOC, mas a maioria desconhece a doença. Cerca de 80% dos casos são provocados pelo tabaco.
O director do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Maria, Bugalho de Almeida, defendeu a necessidade de “chamar a atenção” para estas doenças, muitas vezes subdiagnosticadas.
“As formas mais leves destas doenças são desvalorizadas. As pessoas consideram que ter tosse e expectoração de manhã quando se levantam é absolutamente normal”, comentou.
“Numa fase posterior da evolução da doença, nomeadamente a DPOC, surge a pieira. Nessa altura, as pessoas também acham que é natural e desculpam-se muitas vezes com a idade ou com o cigarro”, acrescentou.
Bugalho de Almeida sublinhou que quando a doença está em fases muito iniciais pode ser corrigida e deixou uma mensagem: “Se tem asma pode ter uma vida perfeitamente normal. Tem é de estar devidamente controlado”.
Fonte: http://www.rcmpharma.com/news/8449/15/Apenas-11-centros-de-reabilitacao-respiratoria-para-mais-de-100-mil-doentes-com-DPOC.html

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