Domingo, 30 de Outubro de 2011

GRANDE REPORTAGEM - SIC - "Safira" (COM VIDEO)

Hoje (31 out) continua um debate em directo na SIC ...a registar "os doentes nao sao objecto dos médicos, o diálo é importante" ... Foi chocante ao ouvir a médica do IPO a dizer "ninguém está livre de cancro a nao ser que nao tenha nascido" ... Muito tipico de laguns médicos - o confronto agressivo - quando há doentes ou acompanhantes que por acaso sao inteligentes, sabem argumentar, procuram informaçao. Vejam a Grande Reportagem ... Vale mesmo a pena, Sandra Campos

VIDEO: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic/article946670.ece
Uma Grande Reportagem estremamente bem feita e com uma investigaçao profunda por parte dos jornalistas envolvidos.
PARA REFLECTIR - O cancro, uma criança, a familia, os médicos, a protecçao de menores (CPCJ), Tribunais .... Tudo num grande "bolo", muito sofrimento, muito a aprender.
Sandra Campos


Safira Iris Mateus Freitas fez 6 anos a 30 de Setembro. Há muito que pedia aos pais que a levassem a brincar com os golfinhos. Dois dias depois do aniversário, o sonho concretizou-se. Safira é filha única de um casal desfeito há quatro anos: Gabriela e Gabriel. Gabriela voltou a casar e Safira passou a viver – em guarda conjunta – dividida entre a casa do pai e a casa da mãe. Dois anos depois do divórcio dos pais, tinha Safira 4 anos, um tumor de Wilms, um tumor renal muito raro, toma posse do rim direito de Safira.

O diagnóstico impõe cirurgia imediata, mas o protocolo europeu que regula o tratamento do cancro em Portugal, determinou quatro sessões de quimioeterapia prévia. Os pais resistiram, mas o IPO não cedeu. O rim e o tumor foram removidos com sucesso em Agosto de 2010, depois de quatro sessões de quimioterapia.
Assim que o cancro foi detectado, a familia tomou a decisão de viver junta e um triângulo de segurança fechou-se à volta de Safira: pai, mãe e padrasto.
Depois da operação, este círculo restrito avisou o IPO de que Safira não se submeteria às 27 sessões de quimioterapia prescritas; os pais e o padrasto decidiram procurar uma via de tratamento alternativa. O IPO avisou a Comissão de Protecção de Menores e a Comissão informou o Tribunal. Em três dias, a decisão estava tomada: os pais deveriam levá-la aos tratamentos, de outra forma Safira teria de ficar à guarda do Estado para que os mesmos – forçadamente – ocorressem.
Houve sentença. Mas nunca foi aplicada. Os pais, pressentindo-a, saíram de casa.
O IPO argumentava que a quimioterapia garantiria a Safira 95 por cento de hipoteses de sobreviver sem recidivas. Os médicos do Instituto entendiam que, qualquer outra abordagem, poria em causa estes resultados.
Safira fez um tratamento com células dendritícas na Alemanha. Células específicas do sistema imunitário da menina foram postas em contacto com uma amostra do tumor para o conhecerem e aprenderem a combatê-lo. Essas céluas foram replicadas em laboratório e de novo injectadas no organismo de Safira.
As células dendríticas que protegem o sistema imunitário de doenças invasoras como o câncro, um tratamento ainda experimental e que o IPO não reconhece, asseguraram ao investigador Ralph Steiman o Prémio Nóbel da Medicina 2011.
Reportagem de Pedro Coelho e José Silva (imagem), com Patrícia Fonseca (Visão); edição de imagem de Ricardo Tenreiro; grafismo de Isabel Cruz; pós-produção áudio de Edgar Keats; produção de Isabel Mendonça; coordenação de Cândida Pinto; direcção Alcides Vieira.


LINKShttp://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic/2011/10/27/safira
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic/

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