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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Portugal - Artigo de hoje do DC do Sr. Professor Linhares Furtado! (retirado do blog Lutar até Viver)

 Hoje conversei com várias pessoas ligadas ao processo e todas reagiram positivamente ao texto do Sr. Professor Linhares Furtado! É agradável reparar que neste momento existe um certo consenso e até alguma harmonia em relação à "Solução Coimbrã", quando num passado recente estes consensos pareciam ... complicados!
Por outro lado, a minha inciativa direccionada a conquistar parcerias que nos dessem algum poder financeiro... está prestes a gerar um primeiro entendimento de grande relevo e 'significativo impacto'!

Mas isto fica para outra fase, vamos agora e apenas divulgar o artigo do Sr. Professor:


FONTE: BLOG LUTAR ATÉ VIVER (http://lutarateviver.blogspot.com/2011/10/artigo-de-hoje-do-dc-do-sr-professor.html)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

À espera de uma dádiva de vida - ( c/Testemunhos de Sandra Campos e da Hepaturix)

Foto: Getty

TRANSPLANTES

À espera de uma dádiva de vida

20 | 09 | 2011   10.55H
Com a crise em vista, responsável pelo corte nos incentivos aos transplantes, doentes e especialistas temem pelo futuro. Portugal é um dos líderes nesta área. Ministério garante que números não vão baixar.
Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt
«O transplante é a porta para novas esperanças, novas aventuras», confirma Olivier Coustere, presidente da World Transplant Game Federation e três vezes transplan-tado de rim. Em Glasgow, na Escócia, durante o congresso da Sociedade Europeia para o Transplante de Órgãos, onde o Destak esteve presente, contou como, aos 15 anos, teve de enfrentar o diagnóstico de doença renal crónica. Cinco anos depois fazia o primeiro transplante e, depois dele, o segundo e ainda um terceiro. Não esconde, por isso, o sentimento de gratidão. E alívio. É que, em Dezembro de 2009, mais de 50 mil pessoas na Europa precisavam de um transplante de rim.
Na mesma altura, segundo os dados disponíveis, contavam--se apenas 17 886 transplantes realizados. E 1630 pessoas que perderam a vida na lista de espera. «O transplante é sobre vida ou morte», reforça. E hoje muita coisa mudou. Sandra Campos concorda. Teve direito a uma segunda vida, como lhe chama, a 9 de Maio de 2005. Foi nesse dia que, num hospital da Corunha, recebeu um transplante de pulmões, um novo fôlego depois de anos presa às dificuldades respiratórias. Mas a crise, que hoje obriga os portugueses a apertar o cinto, preocupa-a, assim como os anunciados cortes nos incentivos à área da transplantação.
«As pessoas estão cheias de medo. Tenho um blogue (http://transplantes-pulmonares.blogspot.com/) e na minha caixa de e-mail já recebi mais de 200 pedidos de ajuda de quem não sabe o que fazer. Alguns já faleceram, outros não sabem como conseguir ir para fora, como eu fui, e contam-me os muitos obstáculos e dificuldades que têm de enfrentar», revela ao Destak.
O receio é partilhado pela Hepaturix - Associação de Crianças e Jovens Transplantados ou com Doenças Hepáticas que, em carta aberta, já deixou o alerta: o corte pode «sabotar» a actividade. «Ainda estamos a tempo de não cometer um crime no que à Transplantação Hepática Pediátrica diz respeito», reforça.
Apoio à colheita
O Ministério da Saúde, quer através do ministro, quer ainda do secretário de Estado, já deixou claro que esta redução, em 50% nos incentivos ao transplante e à colheita, não significa uma diminuição do número de transplantes. «A política em nada deve comprometer o número de doentes transplantados», reforça aoDestak fonte do gabinete.
Maria João Aguiar, que foi coordenadora nacional das Unidades de Colheita de Órgãos, Tecidos e Células para Transplantação, tendo apresentado a demissão recentemente, também não acredita nesse cenário, mas lamenta a forma como foi tomada a decisão. «Em cinco anos pusemos o País à frente do pelotão no que diz respeito aos transplantes. E é verdade que todos temos de compreender que é preciso fazer cortes. Mas a nossa demissão não foi por causa dos cortes nos incentivos aos transplantes, que até podiam ser muito necessários. Não concordamos é com o corte de 50% nos incentivos à colheita», explica.
É que sem órgãos não se podem fazer transplantes. Uma premissa que pode parecer básica, mas que muitos tendem a esquecer. «É preciso ter em conta as equipas que fazem com que a colheita se realize, que os dadores não entrem em colapso, que preparam as famílias. O que falta é uma palavra de apreço para estes, o reconhecimento de que o seu esforço é de interesse público.»
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Qualidade de vida tornou-se prioridade
«O transplante é sobre vida ou morte», reforça Olivier Coustere. E, hoje, muita coisa mudou. «O objectivo é devolver às pessoas uma vida normal», acrescenta. E é nesse sentido que tem também progredido a investigação, que procura medicamentos que tornem mais fácil a vida dos doentes. Isto porque muitos transplantados de rim continuam a morrer, não só devido aos clássicos problemas de rejeição, mas também a acidentes cardiovasculares.
«E a introdução de novos imunossupressores, apesar de ter contribuído para reduzir os números da rejeição aguda, não veio trazer melhorias neste aspecto», confirma Josep Grinyó, director do serviço de Nefrologia do Hospital Universitário de Bellvitge, em Espanha.
Se é um facto que é necessário manter baixo o risco de rejeição, é também importante ter em atenção outros factores que contribuem para a morte dos doentes.«Não só temos de aumentar a esperança de vida do enxerto, como do doente», reforça. «E durante anos tivemos de usar medicamentos que aumentavam o risco cardiovascular.»
É para tentar mudar este cenário que foi aprovado, na Europa e nos EUA, um novo medicamento, biológico, «que oferece protecção nefrológica», confirma Klemens Budde, director do serviço de transplantação do Charité Universitatsmedizin, na Alemanha. Chama-se belatacep e oferece uma protecção contra a rejeição do órgão, ao mesmo tempo que ajuda a preservar a função renal, que influencia o risco cardiovascular.
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Cento e quatro mil intervenções em 2010
Dados divulgados recentemente pelo Registo Mundial de Transplantes dão conta de que, em 2010, foram realizados em todo o mundo 104 065 transplantes, uma subida de quase 4% em relação ao ano anterior. No topo da lista dos órgãos que mais foram transplantados destacam-se o rim (71 418), seguido do fígado (21 207), do coração (5403), do pulmão (3649) e ainda do pâncreas (2316).
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CONVERSA RÁPIDA
Com Josep Grinyó, Director do serviço de Nefrologia do Hospital Universitário de Bellvitge, em Espanha.
Acredita que a crise pode ter impacto na área da transplantação?
Acredito que não vai haver um impacto directo a curto prazo. Mas com as dificuldades e com o crescimento da pobreza, todas as doenças aumentam - as doenças infecciosas, as cardiovasculares. Por isso, sou moderadamente expectante, mas não posso dizer que estou optimista.
Espanha é líder na área da transplantação? A que se deve este sucesso?
Foi graças a uma organização sistemática da detecção dos doadores, dos centros, da figura do coordenador de transplantes, essencial para detectar os potenciais dadores de uma forma prospectiva, e ainda devido a uma organização a nível territorial. Por outro lado, houve uma lei que introduziu o consentimento informado, que facilita os trâmites administrativos para fazer a doação.
Todas as pessoas são potenciais dadores em Espanha?
Sim, segundo a lei, mas há um decreto que regula a vontade do dador. Ou seja, é uma lei de consentimento informado, mas atenuada pelo decreto, o que nos faz respeitar a vontade da família. Sempre se fez assim, sendo ainda muito importante manter um ambiente de confidencialidade na doação de órgãos, para não criar insegurança na sociedade. E a sociedade tem respondido bem.
Têm os problemas renais vindo a aumentar?
Aumentaram, mas a incidência estabilizou-se devido a uma intervenção terapêutica de primeira linha, a um melhor controlo dos doentes nos cuidados primários, que é muito importante para controlar a progressão da doença.
Mas continua a haver muita gente à espera de um rim para transplante. Continuará a aumentar?
Sim. É por isso que, embora as pessoas estejam bastante sensibilizadas para a doação, é preciso fazer um esforço adicional junto das famílias dos doentes.
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NÚMEROS, DADOS E OUTRAS INFORMAÇÕES
Insuficiência renal afecta já 800 mil
São, todos os anos, contabilizados qualquer coisa como 2200 novos casos de insuficiência renal crónica terminal. A estes juntam-se 14 mil portugueses que dependem da diálise, dos quais cinco mil são já transplantados. A culpa é de um problema de saúde, a doença renal crónica, que ameaça tornar-se num grave problema de saúde pública.
Por cá, 800 mil sofrem com esta doença, que resulta de uma combinação de factores hereditários, aos quais se juntam ainda outras enfermidades como a diabetes, obesidade e a hipertensão arterial.
Menos 3,4% transplantes em Portugal
Depois de ter ocupado o primeiro lugar no mundo no que diz respeito aos transplantes de fígado e de rim com dador cadáver, Portugal foi ultrapassado este ano pela Croácia. De acordo com os dados referentes à primeira metade de 2011, o número de transplantes desceu 3,4% no nosso país em relação ao período homólogo, o que significa que se realizaram menos 15. Quanto à colheita de órgãos realizada a nível nacional, sofreu uma queda de 1,3% para 156, menos três do que no primeiro semestre de 2010.
Formação na Europa custa 270 mil euros
A formação de coordenadores hospitalares em toda a Europa surge como uma das principais actividades que integram o Plano de Acção 2009-2015, que acompanha a directiva europeia sobre qualidade e segurança dos transplantes.
Uma directiva aprovada durante o ano passado, que visa sobretudo melhorar o acesso aos transplantes de cerca de meio milhão de europeus.
O projecto de formação, ao qual foi dada a verba de 270 mil euros, está a ser liderado pela Espanha.
Rim traficado pode valer 200 mil dólares
As histórias multiplicam-se e, embora sejam diferentes os protagonistas, mantêm os mesmos denominadores comuns: ilegalidade, corrupção e horror. O negócio do tráfico de órgãos tem florescido, com valores que chegaram aos 50 milhões de dólares em 2008, com base nos dados da Plataforma Europeia para os Aspectos Éticos, Legais e Psicossociais da Transplantação de Órgãos.
Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2007 esta actividade correspondia entre 5% a 10% dos transplantes de rim realizados no mundo. «Há organizações criminosas que conseguem os rins para transplante», confirmou Luc Noel, da OMS. «Mas na maior parte dos casos, isso envolve os pobres e mais vulneráveis, dispostos a abdicar de um órgão em troca de dinheiro.» É que um órgão pode chegar a valer entre 3 mil e 15 mil dólares, sobretudo rins, que são depois vendidos por intermediários a troco de pequenas fortunas - 200 mil dólares.

Fonte: http://www.destak.pt/artigo/106544-a-espera-de-uma-dadiva-de-vida
Saiba mais sobre: 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O país está adormecido e ninguém parece reagir! (retirado do blog Lutar até Viver)

Vitor,
Apesar de entender a dor desta mae e de todas as pessoas que estao a sofrer por necessitar de um transplante, tenho a dizer-te que deves continuar com toda a tua força DENUNCIANDO e ALERTANDO pois só poderás ser "culpado" de algo se vires e ficares calado!
Também, levei com muitas criticas no meu blog dos Transplantes Pulmonares - umas tao fortes que me meteram a chorar, cheguei a pensar parar de escrever e viver a minha vidinha...é bem mais fácil! Mas a minha consciência nao me deixa ficar quieta, ficar calada, porque sei que o sofrimento será maior para todas as pessoas quando descobrirem que nao foram avisadas por pessoas como tu que apenas estao a querer fazer o bem.
Continua com força,
Um abraço,
Sandra Campos


DO BLOG LUTAR ATÉ VIVER:

Na ânsia de alertar o país para o que se passa, fui demasiado amargo e cruel!
Reparem, o país está adormecido e ninguém parece reagir!

Com um discurso, moderado e prudente não tenho conseguido nada. Desta vez tentei atingir as consciências, precisamente em defesa de casos como o vosso, mas esqueci-me que a leitura das minhas palavras por quem está a viver neste momento o drama, é demasiado doloroso.
De coração, peço-vos desculpa pelo meu acto irreflectido.
Neste momento o programa está suspenso e temos de lutar pela sua recuperação! Sinceramente, a solução preconizada pela Administração dos HUC, de formar agora Cirurgiões e tentar retomar tudo mais rápido possível, é inviável, pelo menos no curto prazo, isto é, nos próximos dois / três anos! Se ouvirmos quem percebe de transplantes, constatamos isso imediatamente, pois a “qualidade” aqui é uma variável inegociável….

Nenhum cirurgião de bom-senso, a dar os primeiros passos na área pediátrica, arrisca a fazer o transplante, assim sem mais nem menos!

E é preciso que as equipas estejam todas a postos e afinadas e neste momento não estão. Esta é a realidade!

Por outro lado temos um país que só está atento a números, a buracos financeiros e neste momento não há vontade política para nos escutarem… ou parece não haver!

A solução é simples, curiosamente. O que está em causa é o superior interesse nacional, note-se!!
Hoje enviei um mail a determinada entidade que acabava assim:
“Como seguramente concordarão comigo, tudo isto é assustador, está a acontecer no nosso país e ninguém parece querer ver!! Antes as crianças eram enviadas para Coimbra e tudo se passava entre os dois hospitais (HUC e Pediátrico) a taxa de sucesso era superior a 90%. Em Coimbra temos um dos melhores cirurgiões do mundo, mas como o programa está suspenso, não pode fazer transplantes e temos uma equipa de médicos que têm de assegurar os transplantes hepáticos e não sabem fazer transplantes pediátricos!! Em Coimbra temos tudo "à mão” os pais são acompanhados por pessoas que falam a N/ língua e podem viver gratuitamente em Coimbra, num apartamento que está arrendado à Hepaturix! Em Madrid andam perdidos e têm de suportar uma imensidão de despesas…

Outra coisa inquietante é que agora o HP tem de devolver esses casos aos Hospitais de origem, ou seja tememos que muitas dessas situações deixem de ser do domínio público o que poderia ter consequências graves, pois com o programa a funcionar na sua plenitude, já era frequente que as crianças que dessem entrada em hospitais de província corressem perigo de vida de não chegarem a tempo, agora, poderemos nem sequer chegar a saber do caso….”

Como dizia, mais atrás, está em causa o superior interesse nacional e já agora, uma solução mais económica para o país, e a solução é simplesmente dar condições ao Dr. Emanuel Furtado para chefiar os Transplantes Hepáticos e dessa forma retomar os Tr. Pediátricos.

É tão SIMPLES! 
Todos os pais devem fazer-se ouvir e não estar à espera da Hepaturix, porque a Hepaturix é composta por pais que têm as mesmas dificuldades e limitações que todos os outros. Não é uma organização com uma máquina montada, isto é, depende da carolice de alguns pais e neste momento todos somos poucos.

Quando travámos a luta contra a alteração dos medicamentos pela farmácia do pediátrico, já passámos por esta “solidão” mas conseguimos vencer e levar o nosso barco a bom-porto e é isto que temos de fazer novamente, mas COM A AJUDA DE TODOS!

Mais uma vez peço desculpa por vos ter chocado e vamos todos lutar pelos V/ filhos, pois NINGUÉM tem o direito de vos fazer passar este calvário.

Eu tenho sido o primeiro e não vou desistir, porque tenho lá em casa um menino espectacular e nos seus olhos vejo todos os outros, acreditem!


Fonte: http://lutarateviver.blogspot.com/2011/09/resposta-aos-comentarios-do-post.html

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Retirado do blog Lutar até Viver - Carta Aberta ao Ministro Saúde Portugal

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011


Diário Coimbra - a carta!

Exmº Senhor Dr. Paulo Macedo Ministro da Saúde,

Coimbra tem o único Centro de Transplantação Hepática Pediátrica português (continente e ilhas) nos Hospitais da Universidade de Coimbra – Hospital Pediátrico.

No final de Janeiro foi suspenso o programa de Transplantação Hepática Pediátrica (THP) por não se reunirem as condições necessárias. O único cirurgião que domina a técnica necessária ao transplante hepático pediátrico foi para o IPO e ficámos reduzidos aos transplantes no país apenas nos casos emergentes, todos os outros passaram a ser encaminhados para o estrangeiro.

As crianças sujeitas a transplantes no estrangeiro, ou têm um dos pais com um órgão compatível para serem dadores vivos ou ficam à espera (no fim da lista dos naturais do país em causa).

Há neste momento um menino nestas condições. Já foi para Espanha, e regressou para Portugal à espera que haja um órgão para o transplante.

Portugal poderá enviar um fígado compatível (que terá de ser um fígado inteiro, embora só seja necessária uma parte, podendo a outra salvar mais um doente, porque por cá não se deu apoio ao único cirurgião que sabe fazer a bipartição, necessária a este processo). Conclui-se, portanto, que não há solução razoável.

O programa Pediátrico está suspenso, mas poderia funcionar se ao Dr. Emanuel Furtado tivessem sido dadas condições nos HUC e os transplantes dos ADULTOS beneficiariam desse facto, pois, temos em Coimbra um dos melhores cirurgiões do mundo na área da transplantação hepática, pediátricos e adultos, e o único em Portugal que faz a bipartição do órgão, mas não faz transplantes! (Chama-se a isto desperdício de recursos).
Agora, pergunta-nos o Sr. Ministro "é preciso perceber se o país pode sustentar o actual número de transplantes"? E nós questionamos: Qual o peso económico para Portugal quando uma criança é enviada para fazer um transplante no estrangeiro? Que consideração e respeito temos nós pela qualidade que alcançámos em Portugal nesta área e estamos à beira de não a aproveitarmos? É imperativo resolver este assunto com os recursos nacionais.

Há normas internacionais que definem os parâmetros dos indivíduos candidatos a transplantes de órgãos. Quem tem o poder de decidir a vida ou morte para além destes parâmetros?!? A economia??
Esta Associação tem como associados os pais das inúmeras crianças com transplante hepático feito no nosso país, algumas que já cresceram e são adultas e destas por sua vez já com filhos. Não podemos aceitar que se deite por terra quase duas décadas de THP, e outras tantas de investigação, empenho, sofrimento de tantos, para que a THP tivesse chegado ao nível de reconhecimento internacional a que chegou, nem que se extinga um Serviço único e importantíssimo para as centenas de crianças e famílias que a ele têm recorrido nos últimos 17 anos.
Dizer que pretende “manter um número de transplantes tão interessante e de qualidade como tem vindo a ser feito, mas claramente dando menos incentivos aos hospitais, porque também não é necessário”, e não permitir a formação de equipas e a sua preparação é pura sabotagem. Ainda estamos a tempo de não cometer um crime no que à THP diz respeito.
Transplantar uma criança, é, na maioria dos casos, torná-la saudável, ou seja (se quisermos reduzir o valor da vida humana a números) gerar um trabalhador e consequentemente um contribuinte.

Há crianças em lista de espera de THP que sofrem todos os dias. Quem tem coragem de, em nome da economia, decidir quais as que não devem ser transplantadas? E estará Sr. Ministro, em consciência, disposto a assumir essa responsabilidade? Que justificação pode dar a uma mãe com um filho doente, cuja única hipótese de vida é o transplante, mas que por questões económicas nada pode ser feito?

A próxima criança pode ser alguém que lhe seja próximo. Irá ao estrangeiro doar-lhe parte do seu fígado? E se o seu fígado não for compatível? Regressará e aguardará serenamente que alguém decida se ela será ou não transplantada, ou seja, que alguém decida se ela viverá ou não?

Felizmente que em Portugal, depois destes 17 anos de TRH pediátricos, poucos foram os insucessos, mas algumas crianças faleceram e o país chora sempre que perde uma das suas crianças! Cada uma que faleceu significou uma derrota e uma dor insuportável para todos nós, incluindo para os profissionais de saúde que a acompanharam na luta pela vida! Uma só vida perdida, equivale a um desgosto infinito, a um vazio profundo e a uma frustração imensa!

Não queira o Sr. Ministro ficar com um peso destes na consciência!

A Direcção da Hepaturix 
Fonte: http://lutarateviver.blogspot.com/2011/09/diario-coimbra-carta.html

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DENUNCIA CRIME - Transplantes Hepaticos Pediátricos no Hospital Universitário de Coimbra (retirado do blog Lutar até Viver)



Na continuaçao desta noticia http://transplantes-pulmonares.blogspot.com/2011/07/huc-pedem-ajuda-espanha-nos.html

Vejam esta:

Denuncia de crime - Despacho de arquivamento

Junto aqui o despacho de arquivamento desta denuncia e que me merece os seguintes comentários:


- no essencial este despacho está muito bem elaborado, está bem ponderado e quem o fez, debruçou-se ‘a sério’ sobre o assunto! Sinceramente estou bastante satisfeito com o seu teor, porque vai servir para alguma reflexão e é um sério "aviso à navegação" para futuro ...

- pode parecer que o mesmo não vai de encontro ás N/ expectativas, pelo menos na sua totalidade, pois ninguém foi acusado de nenhum crime! Nós Hepaturix não temos sede de vingança e também nos sentimos aliviados por ninguém ter sido acusado de nenhum crime!! Os que tomaram a decisão que tanto contestámos, são pessoas normais e têm o direito a errar, mas também têm família, filhos e para nós, bastou-nos este assunto ter tido o impacto que teve e os medicamentos originais terem sido repostos, para que o encerrássemos;

- contudo, há um pormenor que não posso deixar passar em claro! Numa questão como esta de saúde pública, em que estão em causa crianças frágeis e que já passaram "pelos infernos", nunca a decisão de se ministrar um genérico de forma imperativa, até à chegada do parecer do Infarmed, pode ser aceitável técnica e moralmente falando!! Repare-se, as dúvidas se existiam, sempre existiram, porque não havia a prática em mais nenhum centro europeu de referência, logo, a decisão que mandaria o bom senso, do chamado "bonus pater familias", seria, primeiro contactar todas as entidades, técnicos, desfazer todas as dúvidas e só depois, quando tudo estivesse devidamente esclarecido e a sensação de perigo completamente afastada, então aí sim, poder-se-ia ministrar o medicamento substituto! Actuar como se actuou, foi manifestamente irresponsável e perigoso.

Se a Hepaturix não tivesse reagido como reagiu, nada nem ninguém nos garante que as mesmas crianças estariam vivas, pois os medicamentos alternativos teriam mesmo sido ministrados! Este é o drama, e se tal acontecesse, então aí sim os responsáveis da decisão teriam que ser apresentados à justiça e os pais dos miúdos, nós que compomos a Hepaturix, os médicos que salvam as N/ crianças no seu dia a dia, etc, ficaríamos todos com esse sentimento de revolta para sempre!

Eis o despacho…




fONTE: http://transplantes-pulmonares.blogspot.com/2011/07/huc-pedem-ajuda-espanha-nos.html

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Antena 1 - "Nós, vencedores" (Testemunho retirado do blog Lutar até Viver)

Este título aplica-se bem ao Vitor Alexandre e a todas as crianças que têm de vencer provações graves de saúde!


Hoje, participei via telefone na gravação de um programa que sairá "para o ar" na próxima semana e acabei por falar mais no problema que estamos a viver em Coimbra !!

No último Sábado, uma criança teve de ser transferida para Madrid, porque, segundo consegui apurar, não estavam reunidas condições técnicas para que o transplante fosse efectuado em Coimbra.

É certo que tudo isto vai provocar um "disparar dos orçamentos", mas o que nos preocupa não é isso, mas sim o drama que está a ser vivido por aqueles pais, o sofrimento da criança e o efeito que tudo isso terá nas crianças que virão a seguir. Não esquecer que a técnica da redução do fígado é sempre necessária nos bébés e na maioria das crianças, logo, aparentemente, todos os próximos transplantes que não sejam de "orgão inteiro" irão parar a Madrid!!

O Diário de Coimbra perguntou-me hà pouco o que é que nós pensávamos disto tudo e naturalmente mostrei a minha revolta e o meu pesar.

Estamos a viver um pesadelo e não consigo deixar de ficar emocionado ao pensar no que estarão a passar os pais das crianças que aguardam entrar na agonia final...

Como o referi no meu livro, nunca fui muito de rezar, mas temos de começar a rezar por todas as crianças que venham a necessitar de um tranplante hepático em Portugal! 

Fonte: http://lutarateviver.blogspot.com/2011/07/antena-1-nos-vencedores.html

terça-feira, 28 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

Noticia chocante Correio da Manhä - ""Hospitais da Universidade de Coimbra lideram os transplantes"

Quem tiver curiosidade em ler o tal artigo do CM, pode fazê-lo em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/centro-e-a-regiao-do-mundo-com-mais-dadores

Salta à vista um erro... refere-se que o Alex foi transplantado em 2004, certo?! Logo não pode ter a idade que lhe atribuiram, o "actualmente com seis anos" está obviamente errado e além disso, não se percebe pela leitura do artigo, o verdadeiro ponto dramático em que  nos encontramos!

Neste momento existem três listas de espera, uma, a real e conhecida e que penso ter 9 crianças, outra a das crianças em espera de ... entrar na lista de espera e que tem outras 9 crianças. O absurdo é que agora existe outra lista, a das crianças com problemas hepáticos graves e que não podem ser referenciadas por o programa estar suspenso...

Começamos a ficar inquietos, será que alguém terá de morrer para o país acordar?!
Fonte: http://lutarateviver.blogspot.com/2011/06/lista-de-espera-para-entrar-na-lista-de.html

Uma noticia do Correio da Manhä que chega a ser chocante só de ler o cabeçalho!
"Hospitais da Universidade de Coimbra lideram os transplantes? É assim tao fácil falar-se em transplantes de forma genérica. Sempre as mesmas comparaçoes com Espanha nas quais somos sempre os melhores!
Nesta reportagem bastante chocante pelos aspectos que referencia o pai do Vitor Alexandre (Livro Lutar até Viver) há ainda a agravante de nao se falar dos transplantes pulmonares e das pessoas que a Unidade de Coimbra regeitou e às quais nao lhes deu hipotese de escolha a nivel de centro hospitalar para ser transplantada (podem ver aqui no blog a reportagem-video da Elisabete Boviao). 
Depois de ter feito 6 anos do meu transplante pulmonar (realizado na Corunha) ainda continuo a ser proibida de contar as minha história por entidades ligadas aos transplantes em Portugal. Parece que afinal toda a competência e bons resultados de Espanha continuam a dar "dor de cotovelo" a estes responsáveis que se esforçam por todos os meios por colocar nas palavras e boca dos jornalistas que somos os melhores e continuar a tapar o sol com a peneira!
Sandra Campos


Correio da Manha (26.06.2011)

Órgãos: Hospitais da Universidade de Coimbra lideram nos transplantes

Centro é a região do Mundo com mais dadores

Portugal foi um dos países do Mundo onde se realizaram mais colheitas de órgãos em 2010, voltando a ultrapassar a barreira dos 30 dadores por um milhão de habitantes. De acordo com o relatório anual da Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação, foram colhidos 926 órgãos nos hospitais portugueses.

Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) são uma das unidades mais activas na área da transplantação. "Em 2010 fomos um dos hospitais que mais transplantes fez no País. Temos 162 transplantes de rim, 28 de coração, 155 de córnea, 151 de osso, 53 de fígado e 27 de medula. Fomos quem mais transplantou a nível nacional em rim, coração e osso. Por exemplo, a nível da transplantação cardíaca, só a equipa do professor Manuel Antunes transplantou mais do que as outras três unidades nacionais juntas", explicou Fernando Regateiro, presidente dos HUC.
Os dadores portugueses são cada vez mais velhos: em 2010, 34 por cento tinham mais de 60 anos. Ainda assim, no Centro do País os números agradam ao responsável. "É a região do Mundo onde há mais dadores. Ultrapassou a média de Espanha, com 37,8 dadores por um milhão de habitantes em 2010". "Os HUC são a unidade que mais órgãos transplanta em Portugal. São uma escola. Têm uma cultura de transplantação. Um hospital que possa fazer transplantação pode fazer tudo", salienta Fernando Regateiro.
"Em qualquer dos casos de transplantação, estamos a falar de intervenções muito complexas, que exigem elevada diferenciação, muita dedicação e qualidade técnica. Há uma série de apoios e colaborações de outros serviços e especialidades. Quando falamos de transplantação estamos a falar de técnicas de altíssima diferenciação que exigem um hospital altamente qualificado", explica o director dos HUC, adiantando que "todo o processo é de tal modo exigente que envolve grande parte do hospital, com um grau de exigência e prontidão que não é compatível com improvisos".
A lista de espera para estas intervenções tem vindo a diminuir, mas não de forma uniforme. "Depende das colheitas. Os nossos serviços têm triagem de prioridades. Pode haver doentes com anos e anos de espera. Há grupos de histocompatibilidade rara e por vezes é difícil encontrar dadores", acrescenta.
DISCURSO DIRECTO
"FURTADO ESTÁ A COLABORAR", Fernando Regateiro, presidente dos HUC
Correio da Manhã – Emanuel Furtado (único médico com conhecimento para realizar transplantes de fígado em crianças) saiu dos HUC. Continua a colaborar com os serviços?
Fernando Regateiro – Continua, nomeadamente em situações de urgência.
– O serviço ficou afectado com a saída?
– Continuamos a dar resposta às situações que surgem. Estamos a construir condições para que o programa de transplantação hepática continue em Coimbra, a trabalhar como sempre trabalhou. O Dr. Emanuel Furtado continua a fazer as situações urgentes e estamos em diálogo para encontrarmos o melhor enquadramento para ele continuar. Estamos também a construir uma resposta a partir de outros profissionais.
– A ‘escola’ poderá estar perdida?
– De maneira alguma. Temos uma cultura de transplantação que não queremos perder.
O MEU CASO: VÍTOR ALEXANDRE
"VÍTOR É UMA CRIANÇA NORMAL"
Vítor Alexandre submeteu-se a um transplante do fígado quando tinha apenas sete meses. Uma intervenção realizada em Coimbra, pela equipa do médico Emanuel Furtado, em 2004. "Foi um processo muito complexo. Inicialmente, o meu filho foi assistido no Porto e ninguém sabia o que o Alexandre tinha. Foi detectado o problema e estávamos para ir para Bruxelas ou Paris, quando um médico francês nos disse que o Dr. Emanuel Furtado era um dos melhores especialistas do Mundo. Em Coimbra, era a mãe quem ia doar fígado, mas à última hora apareceu um dador compatível que deu a vida ao meu filho e a outra pessoa adulta", explica Vítor Raimundo Martins, pai da criança.
Actualmente com seis anos, Vítor leva uma vida normal. "Está estabilizado e saudável. É uma criança normal. A brincar com outras crianças ninguém nota qualquer diferença", explica o pai. "A fase mais complicada são os primeiros dias após o transplante".
A história de Vítor Alexandre acabou por resultar num livro – ‘Lutar Até Viver’ –, escrito pelo pai. Vítor Raimundo Martins integrou também a direcção da Hepaturix, que representa os interesses de crianças e jovens com doenças hepáticas crónicas. "Em Portugal há nove crianças em lista de espera e outras nove para serem indicadas. Como são intervencionados apenas os casos urgentes, mal o programa de transplantação hepática entre em funcionamento, serão 18", explica. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Livro: Lutar até Viver (Transplante Hepático Pediátrico)

Olá Vítor,

Finalmente já estou a ler o livro "Lutar até Viver". Quero agradecer a dedicatória, fiquei muito sensibilizada.Estou a adorar a escrita e claro que para mim não é apenas uma história, cada linha que passo é uma recordação que me aparece do passado, tão diferente e tão semelhante ao mesmo tempo!Uma família que passa por uma quase "sentença de morte" nunca mais volta a ser a mesma mas a mensagem de esperança está bem clara: Há uma nova vida, novos sorrisos, novas esperanças, cada minuto é mágico!Muito obrigada a ti e a toda a tua família.

Sandra Campos


PS: Aproveito para dizer que vou fazer um post no meu blog sobre o livro dedicado ao Vitinho.
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TV Ciência - Testemunho de Vida - A F.Q e o Transplante Pulmonar



Obrigada a toda a equipa da TV Ciência pela oportunidade de divulgar esta doença rara chamada Fibrose Quistica. Não se falou nos Transplantes Pulmonares mas gostaria de deixar aqui a esperança para todos os que sofrem desta doença que o Transplante Pulmonar pode ser a única salvação numa fase muito avançada e terminal da F.Q.

SIC - Grande Reportagem Fev. 2007 (6/6)

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